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‘Hollywood’ | O que é real e o que é ficção na série?

Confira o que é real e o que é ficção na nova série de Ryan Murphy

Na decada de 40, a cidade e a indústria de Hollywood eram bem diferentes. A segregação que existia nos Estados Unidos não permitia sequer que negros pudessem entrar na na cerimônia do Oscar,  que dirá ser protagonista em um longa metragem, os papéis que não eram reservados aos estadunidenses eram apenas os estereotipados e assumir sua sexualidade poderia ser o fim da carreira de um ator. A série da Netflix Hollywood, criada Ryan Murphy se permite voltar ao anos 40 para imaginar o que aconteceria se os rumos tomados pela indústria fossem diferentes. Listamos quando a história real cruza com a ficção. Confira:

Jack Castello é a representação de alguns galãs famosos

A história de Jack é a primeira que acompanhamos na série, um jovem bonito, veterano de guerra, que busca uma chance em Hollywood se mudando para Los Angeles. Interpretado por David Corenswet, o aspirante a galã nunca existiu de fato. Em entrevista ao site Entertainment Weekly, David disse que para compor o protagonista, Murphy baseou-se em três figuras bem conhecidas do público: os galãs Marlon Brando, Montgomery Clift e James Dean, que revolucionaram os padrões de masculinidade “bruta” nas produções hollywoodianas.

Ernie West e o “posto de gasolina” existiram na vida real

Ao aceitar a proposta de Ernie West para trabalhar no Gas Tip, Jack não imaginava que o posto de gasolina na verdade era faixada para um outro tipo de serviço, o estabelecimento era um prostíbulo disfarçado, cuja especialidade era satisfazer mulheres e figurões de Hollywood, em especial, homens dispostos a satisfazer seus anseios sexuais em segredo, já que a maioria não podia se assumir. o local realmente existiu, mas o nome do posto era Richfield e era gerenciado por Scotty Bowers, figura real que serviu de inspiração para Ernie, Scotty era um fuzileiro naval que se mudou para Hollywood depois da Segunda Guerra e chamou os colegas da Marinha para trabalhar como garotos de programa num posto de gasolina. Em seu livro de memórias, Full Service, ele detalha a história do “negócio”, que começou com um trailer estacionado nos fundos do posto e atraiu clientes como Rock Hudson, Cole Porter e George Cukor, mencionados na série.

Camille Washington e Dorothy Dandrige

A personagem Camille Washington é baseada em Dorothy Dandrige, a primeira artista negra a ser indicada ao Oscar de melhor atriz  em 1954, pelo filme Carmen Jones, mas antes disso, por toda a década de 1940, Dorothy fez pequenas participações em filmes e musicais, a maioria de pouca expressão em sua carreira. Seus atributos físicos e grande beleza eram amplamente discutidos em revistas e pelos diretores de estúdios, que exploravam seu corpo em clipes e closes nas gravações.

Leia mais: Crítica | Hollywood – A nova aposta de Ryan Murphy

Rock Hudson e um final nem tão feliz assim

Apesar de na série ele ter se assumido depois de andar de mãos dadas com o roteirista e namorado Archie Coleman na cerimônia do Oscar, a vida real de Rock Hudson foi bem mais triste, o ator, de fato, ganhou o nome artístico ao se tornar cliente de Henry Willson e até o tratamento dentário a que o agente o submete é real, assim como o seu desastroso primeiro teste. Mas o galã passou a vida toda no armário e, apesar dos boatos existirem anteriormente, sua homossexualidade só foi revelada ao mundo pouco antes de sua morte, em 1985, quando tornou-se a primeira celebridade a assumir publicamente a luta contra a Aids. Rock Hudson foi um dos maiores galãs de Hollywood, e estrelou mais de 70 produções, por seu papel em Assim Caminha a Humanidade (1956) indicado ao Oscar.

Henry Willson e o teste do sofá

Outro personagem real é Henry Willson, interpretado por Jim Parsons (Big Bang Thoery). Os relatos sobre Willson são bastante condizentes com o que é retratado no início da série. Parsons passou a maior parte da carreira agênciando galãs e os condunzindo a ter relações sexuais com ele em troca de papéis, o famoso teste do sofá. As ligações com a máfia também são verdadeiras, ao que tudo indica. Quando sua homossexualidade se tornou assunto público em Hollywood, já no fim de sua vida, Willson perdeu seus clientes, que tinham medo de se associar com o agente. Willson sofreu de alcoolismo e abuso de substâncias e morreu em 1978.

Anna May Wong, uma trajetória de injustiças

As cenas mais emocionantes da série foram as que retrataram o drama da atriz asiática Anna May Wong, na tela A atriz, considerada a primeira grande estrela chinesa americana de Hollywood, passou grande parte de sua carreira em busca de um papel que se afastasse dos estereótipos de raça de Hollywood, mas era sempre escalada para papéis de asiáticas assassinas e traidoras. O teste retratado na série também é real, Wong era cotada pra viver uma protagonista asiática no filme Terra dos Deuses, mas foi substituida de última hora por uma atriz branca, Louise Renner, que acabou levando o Oscar pelo papel. Como homenagem a trajetória injusta da atriz, Ryan Murphy deu um final que seria digno a Wong, mas infelizmente na vida reaç foi diferente. Limitada na indústria do cinema, ela se entregou ao alcool e morreu com 56 anos de ataque cardíaco.

Hattie McDaniel, a primeira atriz negra a vencer o Oscar

No últimos episódios somos apresentados a mais uma personagem da vida real, Hattie McDaniel, primeira atriz negra a vencer um Oscar, vira uma espécie de mentora da personagem Camille Washington. Na série, McDaniel, vivida por Queen Latifah, conta à jovem atriz que teve de discutir com dois seguranças para entrar na cerimônia da premiação à qual tinha sido indicada. Na verdade, o produtor do filme, um dos maiores da época, David O. Selznick, tinha reservado um lugar para ela, seu acompanhante e seu agente no salão, uma mesa separada do resto do elenco, lá no fundo. O grupo também foi excluído da celebração do elenco depois da cerimônia, que foi para uma boate restrita a brancos. Ainda, ao contrário da história fictícia de Hollywood, foram mais 50 anos até que uma outra mulher negra levasse a estatueta (quando Whoopi Goldberg ganhou por Ghost em 1990).

Peg Entwstle, a história que inspirou o filme ‘Meg’ é real

Uma figura muito citada na série mesmo sem nunca ter aparecido foi Peg Entwiste, a aspirante a atriz realmente se jogou do H do letreiro de Hollywood, quando ainda era Hollywoodland, aos 24 anos. Ela atuou em diversas peças e seu talento como atriz era aclamado, tanto que chamou a atenção do produtor David O. Selznick. Apesar disso, ela teve dificuldades em conseguir um papel na telona, mas no início dos anos 30 foi escalada no elenco de Thirteen Women. Como dito em Hollywood, seu papel no longa foi cortado de 16 para 4 minutos de tela.

Código Hays e a autocensura

Nos anos de 1920, uma série de polêmicas e escândalos em Hollywood levou à criação da Associação de Produtores e Distribuidores de Filmes da América, presidida pelo presbiteriano Will H. Hays, para melhorar a imagem da indústria hollywoodiana perante a sociedade americana. No início da década, todas as produções já passavam pelo crivo moral de Hays, mas em 1930, as regras de censura foram oficializadas no código batizado com o seu sobrenome. Daí até 1966, as produções que se enquadravam nas regras recebiam um selo de aprovação. Na série de Murphy, a cartilha conservadora é citada exaustivamente por proibir casais inter-raciais nas telas — o que impedia o protagonismo das minorias. A regra, de fato, existiu, e era uma das principais proibições do código, que impedia ainda nudez, piada com religiosos ou funcionários públicos, referência a doenças venéreas, romantização de vícios, detalhes de ações criminosas, dentre outros conservadorismos.

Jeanne Crandall, uma analogia a atrizes injustiçadas

Assim como Jack Castello, Jeanne Crandall não é um personagem retirado do mundo real mas foi criada como uma analogia a atrizes primissoras de Hollywood recebem boas oportunidades coadjuvantes no auge de sua beleza jovial mas que veem as possibilidades diminuírem com o tempo sem conseguir se manter no estrelato com o passar dos anos, ou seja, atrizes elogiadas por sua beleza mas nunca por seu talento.

Em Hollywood, a personagem de Mira Sorvino tem um longo caso com o dono do estúdio, Ace Amberg, e após relatar a traição à esposa do executivo, sente que sua carreira estaria acabada. Mas a redenção de Crandall, que finalmente é escalada em um papel de destaque, remete como uma correção na trajetória da própria intérprete da personagem. Sorvino é conhecida por ser uma das atrizes que entraram na lista negra de Harvey Weinstein por ter resistido aos abusos do dono da Miramax, e após vencer o Oscar em 95, não teve papéis de grande destaque no cinema.

Ace Studios e a Paramount

A Ace Studios não existe de fato, mas o portão em que os figurantes se amontoam à espera de uma oportunidade é real e pertence à Paramount. Alguns filmes que são lançados pela Ace na ficção também são da mesma companhia. Mesmo assim o estúdio é mais uma analogia e um conjunto de todos os estúdios da época.

Vivien Leigh, estrela em ascensão

Alguns personagens baseados em personalidades da vida real também aparecem mesmo que em cenas menores na série, a protagonista de …E O Vento Levou, Vivien Leigh aparece em um jantar feito por George Cukor onde recria as falas de sua personagem no clássico e depois tem uma crise de pânico, o que faz sentido já que na vida real ela sofria de transtorno bipolar.

Eleanor Roosevelt, primeira dama dos EUA

Eleanor Roosevelt, foi uma peça chave na trama, a primeira dama dos EUA, ativista e delegada da ONU foi quem incentivou a escalação de Camille como protagonista em Meg. Na vida real isso não aconteceu de verdade, mas ela chegou a ter envolvimento em um filme em 1940, Roosevelt incentivou seu filho, James (que trabalhava na United Artists), a distribuir o filme britânico e anti-nazismo O Mártir nos EUA, porque outras produtoras o consideraram controverso demais.

George Cukor e as festas particulares

Alguns desses personagens da vida real aparecem forma coadjuvante quando caminham pelos corredores da festa promovida por George Cukor. O diretor, vencedor do Oscar por Minha Bela Dama, era conhecido por suas festas luxuosas, que contavam com a presença de diversas celebridades e jovens rapazes, igual relatado na série. Cukor era secretamente gay e dirigiu uma série de clássicos do cinema, como À Meia-Luz e Nasce Uma Estrela, a versão com Judy Garland

Outros personagens…

Tallulah Bankhead (Paget Brewster), conhecida principalmente por seu papel em Um Barco e Nove Destinos, de Alfred Hitchcock, Bankhead era conhecida por sua defesa por direitos civis e por falar abertamente de questões consideradas tabu, como sua própria sexualidade.

Interpretados por Rob Reiner (Tudo em Família) e Patti LuPone (Pose), o casal Ace e Avis Amberg são fictícios, mas a empresária é livremente inspirada na produtora Irene Selznick e Sherry Lansing, esta, como a primeira a comandar um estúdio hollywoodiano.

O diretor Raymond Ansley, vivido por Darren Criss (American Crime Story) é parcialmente baseado em Steven Spielberg, enquanto Dick Samuels (Joe Mantello) é uma versão fictícia do produtor Irving Thalberg. Outras figuras apareceram frames da série mas realmente existiram na vida real, são algumas delas Loretta Young (Ashley Wood), Ernert Borgnine (Michael Saltzman), George Murphy (Brett Holland), Susan Hayward (Marie Oldenbourg) e Donald Crisp (David Gilchrist), George Hurrell ( Aidan Bristow), Irving Thalberg, (Timothy Dvorak), Guy Madison (Anthony Coons), Luise Rainer (Camilee Natta), Mickey Cohen (Frank Crim), Noel Coward (Billy Boyd).

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