Filmes e Séries Karen Meira Resenhas

Resenha | Coringa – o retrato de uma sociedade em caos

Não contém spoilers, apenas informações tiradas de sinopses oficiais.

Coringa (Joker), o filme que traz a origem do vilão mais famoso dos cinemas, causou grande especulação, não só entre os fãs da DC e do vilão mas entre o público em geral. Afinal, um sucessor depois do sucesso que foi o coringa lendário de Heath Ledger em ‘Batman: O Cavaleiro das Trevas’ , teria uma grande responsabilidade, e outro ponto que trouxe dúvidas seria se o diretor, Todd Philips, que tem um currículo dedicado a filmes cômicos como: Se Beber Não Case, Borat e Projeto X, fosse capaz de entregar uma produção de qualidade.

As expectativas foram lá em cima com a divulgação de imagens com Joaquin Phoenix em um tom mais sombrio que o esperado em filmes inspirados em HQ’s, mas o que mais despertou a curiosidade do público foi a revelação de Philips, de que o filme não teria ligação nenhuma com as HQ’s, apenas algumas referências necessárias, mas nenhuma história especifica, o enredo principal seria desvinculado de qualquer que fosse a ficção dos quadrinhos, mas com o objetivo de abordar como um homem comum e depressivo pode se tornar o vilão mais temido da história. Depois, veio o Festival de Veneza, Joker foi aplaudido de pé por 8 minutos em sua primeira exibição, e em menos de um mês, o filme já se tornou um hype e um dos favoritos para as premiações, e principalmente do Oscar antes mesmo de estrear nos cinemas mundiais.

Resenha | Coringa - o retrato de uma sociedade em caos

Então, Coringa estreou, com grande aclamação tendo como enredo uma história passada nos anos 80, em que Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) trabalha como palhaço para uma agência de talentos e, toda semana, precisa comparecer a uma agente social, devido aos seus conhecidos problemas mentais. Após ser demitido, Fleck reage mal à gozação de três homens em pleno metrô o que inicia um movimento popular contra a elite de Gotham City, da qual Thomas Wayne (Brett Cullen) é seu maior representante. (sinopse oficial)

É necessário dividir por partes essa resenha, para que cada aspecto seja analisado, Coringa é uma obra de arte, ao começar pelo ator Joaquin Phoenix, o grande espetáculo dessa produção. Ele emagreceu cerca de 23 kilos para viver o vilão, a aparência estupidamente magra do ator é ressaltada várias vezes em cenas, essa característica contribuiu muito para que o personagem demonstrasse que a angústia que carrega se tornou tão grande que afetou até sua saúde física, choca ao ponto de ser assustador. Segundo Phoenix, ele passou por uma dieta rígida que o fez ficar cada vez mais mal humorado e fraco, mas que isso contribuiu para a formação de Arthur em cena, o deixando cada vez mais realista. Outro forte característica do personagem é que ele possui uma doença mental e por isso precisa semanalmente frequentar uma assistente social para poder ter acesso aos remédios controlados que precisa, a partir daqui você entende que essa fraqueza pode ser facilmente afetada por qualquer acontecimento que o abale emocionalmente, mesmo assim ele faz de tudo para se adaptar a uma sociedade que não o compreende.

Resenha | Coringa - o retrato de uma sociedade em caos

Vítima da síndrome de Tourette, tiques que causam gargalhas involuntárias em momentos de tensão, as risadas do vilão tem diversos significados, a maioria delas acontecem em momentos inapropriados, é nessa hora que a atuação de Joaquin Phoenix se destaca, na tentativa de parar de rir fica óbvio seu desespero por não conseguir se controlar, em algumas cenas a risada é real, em outras forçadas. O objetivo aqui é saber distingui-las.

E por falar de Joaquin Phoenix, o ator nos entregou provavelmente sua melhor atuação até hoje, a performance impecável de um Coringa vulnerável inocente e nunca antes visto, trará bons frutos a Phoenix, que sem dúvidas merece um Oscar por Melhor Ator. Todas as cenas em que ele aparece (praticamente todas) nos deixa sem fôlego de tão intensa boa e profunda. É bizarro como o ator soube o timing exato para evoluir de um homem comum a um pscicopata completo. Joaquin Phoenix hipnotiza e foi capaz de se sobressair na presença nas cenas que contracenava com Robert DeNiro, aliás, grande sacada de Philips de incluir o protagonista de Traxi Driver, uma das maiores referências do filme, como participação, pequena, mas importante no longa.

Basta um dia ruim para reduzir o mais são dos homens a um lunático.

A Piada Mortal – HQ

Na questão técnica, o filme não deixa a desejar, a fotografia e a paleta de cores segue o ritmo sombrio do enredo, e entra em sintonia com uma trilha sonora que se desenvolve junto com o vilão, um dos maiores ápices do vilão em cena é quando ele dança no silêncio, várias vezes, apenas com a música na mente, passos que demonstram uma certa liberdade e que aumentam a intensidade de acordo com o humor de Arthur. Destaque para a cena de Bruce (ainda criança) e Arthur.

Quem imaginaria que um filme sobre Coringa despertaria nas pessoas uma reflexão tão profunda. O filme não quis romantizar o vilão, vitimizar um psicopata ou impor a aceitação da violência como resposta para um sistema desesperadamente opressor. Coringa escancarou uma sociedade doente, onde a ausência de assistência e a inexistência de amor ao próximo transformam ódio e violência em ídolos de milhares de pessoas. Se o filme te faz refletir sobre problemas reais, ou se abre discussão sobre o tema, é porque ele cumpriu seu papel.

Resenha | Coringa - o retrato de uma sociedade em caos

Resumidamente, o filme se aprofunda na realidade de uma Gotham em caos, onde um homem incompreendido, preso na busca de uma vida comum, encontrou a liberdade na própria insanidade. Nada que foge de nossa realidade, infelizmente.

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