Mell Braga Resenhas

Resenha | Onde Quer que Você Esteja

Estivemos na coletiva de imprensa do longa ‘Onde quer que você esteja’, filme nacional que estreia amanhã (3).

Qual alternativa nós temos quando o marido diz ir às compras e não volta mais? E quando a filha adolescente foge de casa mais de uma vez?

O filme trata de casos de pessoas que procuram pela rádio Cidade Aberta, mais especificamente o programa Onde Quer que Você Esteja, que abre espaço para que qualquer um busque e apele pelo retorno daqueles que já foram. É neste grupo que tem a profissional (Débora Duboc) que lida diretamente com as transmissões e está atrás do marido há meses, também o rapaz (Leonardo Medeiros) que convive com a solidão depois que a esposa abandonou o lar e a mulher que trabalha em um supermercado e está atrás da babá (Sabrina Greve) e o pai de um bebê recém-nascido em busca da mãe de seu filho (Samuel de Assis).

O longa investe em um melodrama durante a maior parte de sua narrativa, com um texto curto e bem focado na emoção do roteiro. Quem participou da produção conta que o orçamento para gravação do material era bem curto, por isso, até na casa de produtores tiveram cenas gravadas, amigos e vizinhos participaram como figurantes e dentre estes detalhes, a equipe engloba bem algo que deve ser mais abordado hoje em dia, como a questão racial do país.

Parte dos melhores momentos entram em foco quando estes personagens carentes passam a interagir entre si, dessa forma, criam novos elos de amizade e/ou até mesmo de romance. Quando a ideia de solidariedade/ parceria entre desconhecidos numa cidade como São Paulo é estabelecida, o contexto se torna encantador, sendo colocado até mesmo como um conto.

Detalhe interessante de notar é que a rádio parece ter um único programa, com uma estrutura simples de ambiente que se remete a um estúdio ou a até mesmo àquela ênfase social que as rádios mais tradicionais ainda desenvolvem em tempos modernos, tempos de Internet.

Outro ponto muito bom é visto no elenco, figuras que sabem muito bem transitar entre a dor e o humor. Interações simples mas que prendem bem o público.

Ponto negativo na produção é que o resultado tenha sido equivocado pela questão estética quando se trata de montagem, luz e som, mas isso foi muito bem explicado, partindo do fato do baixo orçamento e as mil maneiras de lançar algo sem a estrutura necessária.

Interessante é analisar a temática do filme. Tratando de desaparecimento, ao assistir o filme,temos a constatação de que as pessoas somem e outras vão atrás, mas não há nenhum meio de investigação dos motivos. Quando se repara no contexto geral,profundos as angústias na cidade grande, representam bem mais que um fenômeno social. Os casos são usados como uma coisa que evita constituir qualquer forma de discurso político mais abrangente.

A trama fala de desencontros, encontros e reencontros, lágrimas e sorrisos. Não sabemos o que esperar de cada um, quais os sonhos, os gostos, o passado destas pessoas que vivem nesse pedaço isolado do mundo, porém, é nesse espaço radiofônico lúdico, desconectado do resto da cidade, que cada um se acha da forma que deve e se satisfaz.

Confira o trailer:

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