Resenha | 3% mais uma vez surpreende e mostra fôlego para novas temporadas

A terceira temporada de 3% estreou no dia 07/06/2019, e como sempre com uma grande expectativa por parte dos fãs. Seguindo o gancho da Segunda Temporada, a série começa com a trama da Concha, um local que a protagonista Michele fundou que serve como uma alternativa ao Maralto e o Continente.

A temporada já se inicia de forma empolgante com uma tempestade de areia na Concha, obrigando a fundadora a realizar uma seleção, já que o local não estava conseguindo abrigar a todos. Essa situação rendeu bastante para o andamento da temporada e ainda para os personagens, principalmente para a Michele, que se viu numa encruzilhada e foi obrigada a tomar a decisão que ela menos queria. Vale um elogio ainda a toda construção da personagem e de como, de certa forma, ela cada vez mais se torna parecida com o Ezequiel. É uma personagem cheia de nuances e a Bianca Comparato consegue entregar todas elas em uma atuação inspirada, honrando o protagonismo e sendo um dos maiores destaques da série.

Em quesito de atuação, não tem como deixar de comentar da atriz Vaneza Oliveira que interpreta a corajosa Joana, que roubou a cena e se tornou o maior destaque da série. Nessa temporada, ainda houve um aumento em suas nuances, dando um desenvolvimento maior na personagem, fazendo com que ela se abrisse mais os sentimentos e ao amor, situação que não aconteceu nas duas primeiras temporadas.

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Outros atores também se destacaram muito, como é o caso da Débora Olivieri, que apesar de ter tido uma menor aparição se comparado a segunda temporada, a atriz como sempre despertou o ódio dos telespectadores com a sua vilã Marcela. Vale mencionar também Cynthia Senek, Rafael Lozano e Rodolfo Valente (os dois últimos tiveram um ótimo desenvolvimento durante a temporada).

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Se o início da temporada já tinha sido bom com a trama da seleção. O melhor ainda estava por vir após a virada na metade da temporada, quando todos os personagens eliminados resolvem se unir para tomar a Concha, tudo isso liderado pela personagem Gloria. A partir disso, a série toma um novo fôlego, garantindo grandes momentos, como é o caso do julgamento de Michele.

Outro mérito da série que vale ser mencionado é o uso de flashbacks sempre bem colocados. A terceira temporada a todo momento usa do recurso para explicar ou contextualizar melhor a história dos personagens. Um exemplo é os flashbacks que contam a história do casal fundador, que são sempre muito interessantes. Vale elogiar a boa sacada de ter colocado a filha do casal fundador como a fundadora da Causa.

Na parte técnica, é necessário elogiar a trilha sonora recheada de boas músicas e que de certa forma combinam com o universo distópico da série. Além da visível melhora que ocorre na produção a cada temporada que passa. Sem contar a direção inspirada da série que permite um envolvimento maior nas cenas.

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Infelizmente, nem tudo foram flores, a série tem alguns defeitos que precisam ser comentados. Em alguns momentos ocorre algumas situações forçadas para levar a história a uma determinada virada. O exemplo disso é o surto de um dos personagens no segundo episódio que soou um pouco gratuito e exagerado. Além da atuação de alguns atores que muitas vezes soa artificial, sem muita naturalidade. Mas, nenhum deles é capaz de atrapalhar a obra num conjunto geral.

Com toda a certeza, a maior qualidade da série é a forma como ela usa de um universo distópico para fazer uma crítica social a diversas questões como meritocracia ou desigualdade social. Dessa vez, não foi diferente, a nova temporada propôs uma crítica com a figura da salvadora da pátria que nesse caso era Michele. Nada mais propício com o atual momento político que o país vive.

De modo geral, a série conseguiu manter seu alto nível e acerta em sempre usar de todo o potencial e complexidade que ela tem. Ainda conseguiu deixar um bom gancho para uma quarta temporada. No final das contas, a primeira produção original da Netflix sabe de sua responsabilidade e não decepciona.

Por João Vitor

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