O Legado de Pantera Negra: Do ódio ao Oscar.

por Karen Meira


Cinquenta anos após sua estréia nos quadrinhos a criação de Stan Lee, Pantera Negra, chegava as telonas. Pioneiro em vários sentidos, foi o primeiro filme solo de um herói negro e também, o primeiro filme de herói a concorrer em indicações principais de premiações como Oscar, Globo de Ouro, Critics Choice Awards e Sag wards.


Aclamado pela crítica, Pantera Negra é exemplo de representatividade e inclusão desde quando surgiu em 1966, mas em sua adaptação aos cinemas o personagem alcançou seu auge, com a direção e roteiro da produção composto por negros, a produção deu voz e lugar a uma minoria numa das áreas de maior alcance no mundo.

Origem

Na década de 60, os Estados Unidos viveram uma era de intensas mudanças sociais e políticas, e no cerne disso estavam os movimentos pelos Direito Civis liderados por cidadãos afro-americanos contra as leis segregacionistas que estavam em vigor em muitas partes do país. Nesse contexto, foi fundado na Califórnia o Partido dos Panteras Negras, que visava, entre outras coisas, a auto-proteção da comunidade negra em relação a opressão policial. Com isso, Stan Lee cria, em 1966, o primeiro super-herói de origem africana da Marvel a figurar entre os grandes quadrinhos norte-americanos, porém sem nunca ter admitido oficialmente que o nome de seu personagem fazia referência ao movimento, mas cá entre nós, todo mundo sabe que é sim.

Representatividade

Desde o início das produções cinematográficas da Marvel, o que conhecemos sobre heróis são homens brancos fortes com poderes inigualáveis que salvam a nação dos perigos terrestres ou desconhecidos. Mas Pantera Negra, mesmo que tardio, além de mostrar o poder da inclusão ao exibir um elenco de maior parte integrado por negros, nos mostrou que isso não deveria ser raro num universo onde a igualdade tinha que ser o mais forte simbolismo.

Além do mais, Pantera Negra não é um herói comum, é rei de Wakanda e possui em seu poder tecnologias que nunca foram abordadas em filmes de herói antes, muito menos em Homem de Ferro. Mesmo que tenhamos conhecido heróis negros como Tempestade em X-Men, Falcão de Vingadores e Cyborgue e Super Choque (esses dois últimos da DC), nunca tivemos nenhum deles num papel de poder maior ou numa produção em que seja protagonista. Sabemos que um dos maiores papéis do filme é poder dar aos espectadores negros a possibilidade de se sentirem representados nas telas do cinema.

Hollywood já possuía um histórico racista a muito tempo, dando a atores negros, em sua maioria a papéis estereotipados, e distribuindo de forma desigual papéis de maior importância. Mas não é preciso ler nenhum artigo ou pesquisa para sabermos que a diferença étnica em filmes, séries e também em produções da Marvel mesmas são de predominância branca.

Pantera Negra consegue representar com justiça o orgulho a herança cultural africana, colocando negros como reis, rainhas, príncipes e heróis, e não apenas como criminosos, vilões ou serventes aos brancos. Wakanda também foge do estereotipo de que a Africa é exemplo de fome, pobreza e guerra e nos da uma cidade totalmente tomada de belezas naturais, com tecnologias avançadas e poderosa.


Pantera Negra nunca foi apenas um filme, mesmo antes de ser lançado, a notícia de que 90% do elenco seria de atores negros repercutiu muito pelo mundo e motivou infelizmente também, repostas negativas: discursos de ódio e racistas por movimentos que tentaram boicotar a produção em sites de criticas. Mas foram barrados antes mesmo de tentarem algo, pois a reação positiva do público e de críticos em geral já era maioria. Chega a ser impossível mensurar a importância de um filme como esse nas bilheterias para a sociedade, pois agora uma criança negra poderá ir ao cinema, olhar o cartaz e ver sua cor representada como algo para se ter orgulho, e conseguir admirar um herói com que ela possa, realmente, se identificar. Ser pioneiro como o primeiro filme de herói a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme, só prova o valor e o potencial de uma das produções que ficará pra sempre marcada na história do universo cinematográfico. É mais que um simples filme, é revolução, inovação e mais importante que tudo, é representatividade.



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